NR-122 de junho de 20264 min de leitura

NR-1 e riscos psicossociais: o que muda para as empresas?

Nos últimos anos, os riscos psicossociais passaram a ocupar um espaço cada vez mais importante nas discussões sobre saúde e segurança do trabalho.

Temas como assédio moral, assédio sexual, sobrecarga de trabalho, conflitos interpessoais, pressão excessiva e adoecimento mental deixaram de ser vistos apenas como questões comportamentais e passaram a ser considerados fatores relevantes para a gestão de riscos organizacionais.

Nesse contexto, muitas empresas têm se perguntado:

O que a NR-1 exige em relação aos riscos psicossociais?

O que são riscos psicossociais?

Os riscos psicossociais são fatores relacionados à organização do trabalho, às relações interpessoais e ao ambiente corporativo que podem afetar a saúde mental, emocional e social dos trabalhadores.

Alguns exemplos incluem:

  • Assédio moral
  • Assédio sexual
  • Excesso de cobrança
  • Sobrecarga de trabalho
  • Jornadas excessivas
  • Falta de clareza nas funções
  • Conflitos entre equipes
  • Lideranças abusivas
  • Discriminação
  • Violência psicológica
  • Ambiente de trabalho hostil

Quando não identificados e tratados, esses fatores podem contribuir para afastamentos, queda de produtividade, aumento do turnover e passivos trabalhistas.

O que a NR-1 determina?

A Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1 ou NR-01) estabelece as disposições gerais sobre segurança e saúde no trabalho e introduziu uma abordagem baseada no gerenciamento de riscos ocupacionais (GRO).

A norma exige que as empresas identifiquem perigos, avaliem riscos e implementem medidas de prevenção adequadas à sua realidade.

Isso significa que a organização deve analisar não apenas riscos físicos, químicos, biológicos e ergonômicos, mas também fatores que possam impactar a saúde dos trabalhadores.

Os riscos psicossociais devem ser avaliados?

A tendência regulatória e as melhores práticas de gestão apontam para a necessidade de as empresas avaliarem fatores psicossociais dentro do contexto do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO).

Na prática, isso significa observar elementos relacionados à organização do trabalho e às relações humanas que possam gerar adoecimento ou sofrimento aos colaboradores.

Embora cada empresa possua uma realidade diferente, ignorar esses fatores pode dificultar a construção de um ambiente de trabalho saudável e seguro.

Por que esse tema ganhou tanta importância?

Os números relacionados à saúde mental no ambiente de trabalho têm chamado atenção de empresas, profissionais de SST, RH e órgãos fiscalizadores.

Problemas relacionados a:

  • Ansiedade
  • Burnout
  • Depressão
  • Estresse ocupacional
  • Assédio moral

têm gerado impactos significativos para organizações de todos os portes.

Além dos efeitos humanos, existem consequências financeiras e jurídicas, como:

  • Afastamentos pelo INSS
  • Redução da produtividade
  • Aumento do absenteísmo
  • Rotatividade de pessoal
  • Reclamações trabalhistas
  • Danos à reputação da empresa

Como as empresas podem se preparar?

O primeiro passo é abandonar a ideia de que os riscos psicossociais são invisíveis ou impossíveis de medir.

Hoje existem diversas ferramentas que auxiliam na identificação desses fatores.

Entre elas:

Inventário de riscos psicossociais

Permite registrar riscos identificados por setor, cargo ou processo.

Pesquisas organizacionais

Auxiliam na percepção dos colaboradores sobre o ambiente de trabalho.

Canal de denúncias

Possibilita identificar situações que muitas vezes não chegam formalmente ao RH.

Entrevistas e grupos focais

Ajudam a compreender causas e impactos de problemas recorrentes.

Indicadores internos

Análise de:

  • Turnover
  • Absenteísmo
  • Afastamentos
  • Reclamações internas
  • Processos trabalhistas

Qual o papel do canal de denúncias?

O canal de denúncias pode ser uma importante ferramenta de apoio na gestão dos riscos psicossociais.

Situações como:

  • Assédio moral
  • Assédio sexual
  • Discriminação
  • Violência psicológica
  • Abuso de autoridade

frequentemente são identificadas primeiro por meio de denúncias realizadas pelos próprios colaboradores.

Quando existe um processo estruturado para recebimento e tratamento dessas ocorrências, a empresa consegue agir mais rapidamente e reduzir riscos.

O que a fiscalização costuma observar?

Em processos de auditoria ou fiscalização, a empresa deve demonstrar que possui mecanismos para:

  • Identificar riscos
  • Avaliar impactos
  • Implementar medidas preventivas
  • Registrar ações realizadas
  • Acompanhar a eficácia das medidas adotadas

A ausência de controles ou evidências pode dificultar a comprovação de que a organização está atuando preventivamente.

Boas práticas recomendadas

As organizações que desejam fortalecer sua gestão de riscos psicossociais podem adotar iniciativas como:

  • Treinamentos sobre assédio e conduta ética
  • Canais de denúncia seguros
  • Pesquisas de clima organizacional
  • Inventário de riscos psicossociais
  • Planos de ação preventivos
  • Programas de desenvolvimento de lideranças
  • Monitoramento de indicadores de saúde ocupacional

O objetivo não é apenas atender exigências legais, mas criar um ambiente mais saudável e produtivo para todos.

Conclusão

A gestão dos riscos psicossociais deixou de ser um tema secundário e passou a integrar a agenda estratégica das empresas.

Independentemente do porte da organização, identificar fatores que possam impactar a saúde mental dos trabalhadores é uma medida importante para reduzir riscos, fortalecer a cultura organizacional e promover ambientes de trabalho mais seguros.

Empresas que adotam uma postura preventiva tendem a estar mais preparadas para enfrentar desafios regulatórios, trabalhistas e humanos nos próximos anos.

A combinação de inventários de riscos, planos de ação, treinamentos e canais de denúncia pode ser um importante diferencial para organizações que desejam evoluir sua gestão de saúde, segurança e compliance trabalhista.