Compliance26 de junho de 20264 min de leitura

Lei 14.457/2022: o que as empresas precisam fazer?

A Lei nº 14.457/2022 trouxe mudanças importantes para as empresas brasileiras ao instituir o Programa Emprega + Mulheres e Jovens.

Embora a norma tenha como principal objetivo incentivar a inserção e permanência das mulheres no mercado de trabalho, ela também estabeleceu medidas voltadas à prevenção e ao combate do assédio sexual e de outras formas de violência no ambiente corporativo.

Desde sua publicação, muitas empresas passaram a questionar:

Quais são as obrigações trazidas pela Lei 14.457/2022?

Neste artigo, explicamos os principais pontos e o que as organizações precisam fazer para atender às exigências da legislação.

O que é a Lei 14.457/2022?

A Lei 14.457/2022 foi criada para promover melhores condições de empregabilidade para mulheres e jovens, além de incentivar práticas que contribuam para ambientes de trabalho mais seguros e inclusivos.

Entre seus diversos temas, a norma trouxe medidas específicas relacionadas à prevenção do assédio sexual e da violência no trabalho.

Quais empresas são impactadas?

As obrigações relacionadas à prevenção do assédio alcançam empresas que possuem Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio (CIPA).

Na prática, muitas organizações passaram a revisar suas políticas internas, treinamentos e mecanismos de recebimento de denúncias para atender às novas exigências.

O que a empresa precisa fazer?

1. Incluir regras de conduta sobre assédio

As empresas devem incorporar ao seu conjunto de normas internas regras claras sobre:

  • Assédio sexual
  • Assédio moral
  • Violência no ambiente de trabalho
  • Condutas inadequadas
  • Respeito e convivência profissional

Essas orientações podem constar no Código de Conduta, Regulamento Interno ou políticas específicas.

2. Promover ações de capacitação

A legislação prevê a realização de ações de sensibilização e treinamento sobre assédio para colaboradores e lideranças.

Essas iniciativas devem abordar temas como:

  • Prevenção do assédio
  • Respeito no ambiente de trabalho
  • Igualdade de oportunidades
  • Consequências de condutas inadequadas
  • Procedimentos para denúncia

O objetivo é criar um ambiente organizacional mais seguro e consciente.

3. Estabelecer procedimentos para recebimento de denúncias

A empresa deve possuir mecanismos que permitam aos colaboradores comunicar situações de assédio sexual no trabalho ou violência.

Esses mecanismos devem proporcionar:

  • Segurança
  • Confidencialidade
  • Tratamento adequado das informações
  • Encaminhamento para análise e apuração

É justamente nesse ponto que muitas empresas optam por implantar um canal de denúncias estruturado.

4. Garantir acompanhamento das ocorrências

Não basta apenas receber a denúncia.

A organização deve possuir um processo para:

  • Registrar ocorrências
  • Avaliar os fatos
  • Preservar evidências
  • Definir medidas cabíveis
  • Documentar providências adotadas

A ausência de tratamento adequado pode aumentar a exposição jurídica da empresa.

A lei exige um canal de denúncias?

A Lei 14.457/2022 não determina a contratação de um software específico.

No entanto, exige que existam mecanismos eficazes para recebimento e acompanhamento de denúncias relacionadas a assédio e violência no trabalho.

Por esse motivo, muitas empresas passaram a adotar plataformas especializadas que permitem:

  • Denúncias anônimas
  • Denúncias identificadas
  • Registro de evidências
  • Acompanhamento de ocorrências
  • Relatórios gerenciais
  • Histórico das tratativas

O que acontece se a empresa não se adequar?

A falta de medidas preventivas pode aumentar significativamente os riscos da organização.

Entre as possíveis consequências estão:

  • Reclamações trabalhistas
  • Danos morais
  • Investigações por órgãos fiscalizadores
  • Impactos reputacionais
  • Perda de confiança dos colaboradores

Além disso, a empresa pode enfrentar dificuldades para demonstrar que adotou ações efetivas de prevenção e combate ao assédio.

Qual a relação entre a Lei 14.457 e a cultura organizacional?

Mais do que cumprir uma obrigação legal, a adequação à lei representa uma oportunidade para fortalecer a cultura da empresa.

Organizações que investem em:

  • Treinamentos
  • Canais de denúncia
  • Programas de integridade
  • Políticas claras de conduta

tendem a construir ambientes mais saudáveis, seguros e produtivos.

Boas práticas recomendadas

Além do atendimento mínimo à legislação, algumas medidas podem fortalecer a governança e a integridade corporativa:

Política de combate ao assédio

Documento formal estabelecendo regras, responsabilidades e procedimentos.

Canal de denúncias

Ferramenta segura para recebimento e tratamento das ocorrências.

Treinamentos periódicos

Capacitação contínua de gestores e colaboradores.

Comitê de Ética

Estrutura responsável por analisar situações mais complexas e apoiar a tomada de decisões.

Registro das ações realizadas

Documentação das medidas preventivas, treinamentos e ocorrências tratadas.

Conclusão

A Lei 14.457/2022 reforçou a necessidade de as empresas adotarem medidas concretas para prevenir e combater o assédio e a violência no ambiente de trabalho.

Mais do que uma obrigação legal, essas iniciativas contribuem para a construção de uma cultura organizacional baseada em respeito, integridade e segurança.

Empresas que investem em políticas claras, treinamentos e canais de denúncia não apenas reduzem riscos de compliance trabalhista, mas também fortalecem a confiança de colaboradores, clientes e parceiros.